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"O "PPT" já não é para "Z", por Professora Márcia Gonçalves

Artigo de Opinião publicado no semanário Vida Económica

Setembro marca o início do ano letivo. Novas gerações chegam ou regressam às aulas, iniciando novos anos e/ou novos níveis de ensino. Do ensino básico ao superior, acumulam-se os desafios para quem contacta de perto com estes estudantes e os acompanha, orienta, ensina e desenvolve nas instituições de ensino. Professores, educadores, auxiliares e funcionários deparam-se com a necessidade de alterar ou adaptar estratégias, métodos, procedimentos e até os meios e formas de comunicar.
No ensino superior, onde a autonomia e responsabilidade esperadas são superiores e os contextos são mais heterogéneos, os desafios que se colocam, sobretudo aos professores, são ainda mais evidentes.
A geração que chega agora ao ensino superior é uma mistura das chamadas Geração Y e Geração Z, com maior peso da última. A geração Z já nasceu ¿íntima¿ da Internet e está mais familiarizada do que qualquer outra com a tecnologia, não abdicando dela no seu dia-a-dia e até utilizando a mesma como ferramenta de aprendizagem. Permanentemente conectados, o deslizar de dedo pelo ecrã do telemóvel é quase constante e o computador faz muitas vezes parte da ¿indumentária¿ destes jovens. Aprendem pelo Youtube, comunicam pelas redes sociais e consideram o Google o ¿pai¿ das pesquisas e a Wikipedia a ¿bíblia¿ para obter conhecimento.
Talvez por isso, estes estudantes são, muitas vezes, autodidatas e desinteressam-se pelo modelo tradicional de aula, que se torna ineficaz pela dificuldade em garantir a sua atenção numa exposição em PowerPoint de mais de 15 minutos. Esta geração também é curiosa, tem mente aberta e aceita naturalmente as diferenças. São jovens confiantes nas suas capacidades, empreendedores, informados, que possuem uma consciência ambiental, financeira e social notável e uma extrema capacidade de multitasking. Querem mudar o mundo e deixar uma marca e ideias não lhes faltam. E mesmo sendo íntimos das tecnologias no seu dia-a-dia, não dispensam o cara-a-cara e a presença física.
As características da geração Z colocam assim desafios consideráveis aos professores e às próprias instituições de ensino superior. É premente transformar as aulas, tirar partido da tecnologia (telemóveis e portáteis) como uma aliada e não como um empecilho para a atenção, porque intercalar exposição com exercícios já não chega. É fundamental captar os temas que estes jovens consideram relevantes e trazê-los para a sala de aula, encaixando-os nos conteúdos a lecionar. E sobretudo é primordial compreender como estes jovens se relacionam com o conhecimento e com a aprendizagem, para adaptar modelos e estratégias de ensino.
Uma resposta eficiente a estes desafios exige uma grande dose de criatividade, autonomia e flexibilidade, aliadas a formação adequada e a uma forte capacidade de observação, análise e resiliência. Estes fatores são determinantes para definir os estímulos a levar para a sala de aula, que transportem os estudantes da sua ¿cadeira aborrecida¿, virada para o quadro ou ecrã interativo e lhes permitam perceber a aplicabilidade dos conteúdos à vida real, prática, profissional ou quotidiana. Se é fácil? Nem pensar! Se é necessário? Diria que é indispensável, sob pena de passarmos a encontrar nas aulas estudantes ¿ausentes¿, desmotivados e pouco realizados.