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"As Rotas de Jardins Históricos" por Professor Especialista Manuel de Carvalho e Sousa

Artigo de Opinião publicado no semanário Vida Económica

UM NOVO PRODUTO TURÍSTICO EM PORTUGAL

Portugal possui um número muito significativo de jardins históricos de grande interesse paisagístico e turístico. Existe, no entanto, um desconhecimento generalizado sobre estes jardins por parte da população portuguesa, e não só dos jardins em si, como também do seu potencial turístico. 
Estes jardins estão distribuídos por todo o território continental e insular, com as maiores concentrações na área da Grande Lisboa, na ilha da Madeira, na região do Entre-Douro-e-Minho e nos vales do Tâmega e Dão. A menor densidade de jardins noutras zonas do território nacional não lhes retira importância, existindo jardins fantásticos, como os Jardins do Paço Episcopal de Castelo Branco, os Jardins do Solar de Mateus, os Jardins Romanos de Conimbriga ou os Jardins do Palácio de Estoi, no Algarve.
Os jardins são espaços de vida, de contemplação, de produção, de usufruição em que elementos como as plantas e a água conferem um caráter único a cada espaço, na sua articulação com o relevo, com o clima e com a conceção artística destes mesmos espaços.
Estes locais são simultaneamente ecossistemas e obras de arte. Um jardim histórico tem um valor que resulta do seu património cultural e natural, que se fundem criando sítios com ritmos cromáticos anuais, com cenários e vistas, com zonas de sol e sombra, com zonas com diferentes temperaturas que, exige para serem usufruídos plenamente exigem uma manutenção adequada, com conhecimento e rotinas.
Os jardins históricos são lugares de memória, guardiões de conceções organizadas da natureza e criadas pelo homem, segundo os padrões estéticos numa dada época. São espaços de arte que refletem os valores artísticos de quem os concebeu. São locais de história e de conhecimento acumulado permitindo, em muitos casos, o desenvolvimento do conhecimento científico, em especial os jardins botânicos que ainda hoje servem de laboratório para o avanço científico.
Os jardins sempre foram espaços de inovação, de criação e de evolução, pela utilização de novas espécies, pela aclimatização de espécies provenientes de outras zonas climáticas e, pelo contributo para o desenvolvimento de plantas com interesse para a economia nacional.
Em alguns locais do país, as visitas a jardins como produto turístico têm já um grande impacto económico considerável, pelo pagamento das visitas, mas essencialmente como elemento potenciador do alojamento e da restauração, como o caso dos Jardins de Sintra, com especial destaque para os Jardins do Palácio da Pena, os Jardins de Monserrate e os Jardins da Quinta da Regaleira.
A AJH ¿ Associação Portuguesa dos Jardins Históricos está neste momento a desenvolver o projeto de criação das Rotas de Jardins Históricos de Portugal, com o apoio do Programa Valorizar, do Turismo de Portugal, para a criação de um produto estruturado que possa ser apresentado e vendido a operadores turísticos.
Os jardins históricos que vierem a integrar as Rotas terão um selo de certificação garantindo ao visitante as informações essenciais para a visita aos espaços, bem como as rotinas de manutenção adequadas a cada jardim a visitar.
O projeto que está em desenvolvimento terá uma plataforma que permitirá aos operadores, antecipadamente, programarem as visitas, com o cálculo dos tempos de visita e de deslocação entre jardins. Esta plataforma será articulada numa aplicação móvel que ajudará o visitante individualmente a organizar a sua visita, através das informações necessárias.
Com este conhecimento, proporcionado pelo levantamento dos jardins em Portugal Continental, com a estruturação deste produto turístico organizado por rotas e, com a divulgação por parte do Turismo de Portugal bem como pelas Entidades Regionais de Turismo, será dado um bom contributo para o desenvolvimento do turismo, atenuando a sazonalidade, distribuindo o turismo pelo território nacional e acrescentando novos motivos de interesse turístico.
O turismo de visita a jardins históricos permitirá a sua rentabilização, auxiliando na sua sustentabilidade económica e contribuindo de forma relevante para a afirmação na arte paisagista em Portugal.