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"Turismo gastronómico, produtos DOP e IGP e sustentabilidade - uma relação com futuro?" por Professora Ana Raquel Caldas

Artigo de Opinião publicado no semanário Vida Económica

E Portugal, conhecer a gastronomia é a atividade mais praticada não só pelos turistas que se deslocam ao nosso país, mas também
pelos residentes nacionais nas suas deslocações aquém-fronteiras. Num país com um receituário tradicional tão rico, variado e bem
preservado como é o caso, as opções são infindáveis. Se a isto se juntar um toque de modernidade e inovação, temos um destino
perfeito para a prática do turismo gastronómico. Importa, no entanto, clarificar o conceito, uma vez que nem todas as refeições se
enquadram neste âmbito. Assim, consideram-se como turismo gastronómico as deslocações a um destino com o objetivo de apreciar o
património gastronómico tradicional e regional, incluindo as aquisições que serão consumidas posteriormente. É neste contexto que
ganham importância os produtos Denominação de Origem Protegida (DOP) e Indicação Geográfica Protegida (IGP), já que são uma
imagem de marca que transmite garantia de qualidade e rigor no fabrico/criação ao produto ao qual estão associados.
Numa era
em que a sustentabilidade está cada vez mais na ordem do dia, sabe-se que os consumidores valorizam a utilização destes produtos
na confeção das suas refeições e muitos deles estão inclusive dispostos a pagar mais para garantir e qualidade. Quanto mais elevado
o valor pago por uma refeição, maior é a exigência do consumidor relativamente à qualidade dos produtos, às políticas ambientais
adotadas pelo estabelecimento e respetivos impactes e à eficiência dos colaboradores.
Da mesma forma, os operadores
socialmente responsáveis fazem questão em adotar políticas que diminuem a pegada ecológica, geram riqueza e bem-estar na região.

Quando um restaurante/hotel opta por incluir produtos DOP e IGP nacionais na sua oferta gastronómica, está a diminuir as
importações, a garantir um comércio mais justo e de proximidade, bem como a distribuição de divisas para as zonas menos
industrializadas, uma vez que a maioria destes géneros têm as suas zonas de produção fora das grandes cidades como Lisboa ou
Porto, o que conduz à fixação da população nestas regiões menos desenvolvidas. 
Desta forma, considero que a utilização
dos maravilhosos produtos DOP e IGP que o nosso país oferece conduz a um turismo gastronómico sustentável do ponto de vista
ambiental, económico e social. É uma relação perfeita, que tem tudo para dar certo.